sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Parada do Orgulho Gay de Juiz de Fora. Orgulho pra quem?



Realmente é lamentável a falta de propósito percebida na parada de Juiz de Fora/MG. O que mais há de se esperar? Só falta dizer que ano que vem os trios vêm ao som de marchinhas.

A meu ver, a parada se tornou realmente uma festa para “aparecer” para os heterossexuais; um carnaval fora de época. Eles sim, que estão de fora, curtem bastante a festa, assaltam bastante, resolvem suas brigas de gangues; enquanto nós, os homossexuais, negros, enfim, os maiores interessados, ficamos privados de participar do evento ou, no mínimo, precisamos de abadá para termos segurança.

Que tipo de movimento é esse? Qual a instituição que sujeita os seus maiores beneficiários (ou pelo menos deveríamos ser) a estarem “limitados a uma corda” para adquirirem segurança em um evento justamente de solicitação e reivindicação de direitos? Nem vou comentar em relação à cobrança de valores do referido abadá, deixemos isso para outra ocasião.

Acho eu, sinceramente, que o MGM perdeu o foco da parada. Porque então não eliminar as músicas e os DJs e ir cobrando direitos do início ao fim do percurso? Será mesmo que dessa forma haveria tanta marginalidade e descaso com nossos propósitos? [Nossos, meus e de outras poucas pessoas que ainda permanecem com o propósito de adquirir respeito] Até que ponto o número de frequentadores é tão importante? Será mesmo que tem validade alcançar os 160 mil “participantes”, sendo que, no mínimo, metade desses sequer sabe o que realmente é ser HUMANO?! São tantos os que nem sabem o que significa a palavra RESPEITO!

O que vejo é o desrespeito, a imoralidade, o descaso conosco. Tenho observado vários perfis em várias redes sociais vangloriando a semana dos “viadus”. Exatamente assim, VIADUS. Vários são aqueles que estão se preparando para “ir pra festa dos viadus” para ver o que “arranjam”.

Ano passado conseguiram de mim o medo e a decepção, sem contar o assalto a que esteve sujeito um casal gay conhecido no meio. Sem querer entrar no mérito dessa questão, mas vale ressaltar que não chegou ao meu conhecimento que o MGM tenha se posicionado a respeito de tal ocorrido, o que soa estranho, não é verdade? Teoricamente, o ano inteiro podemos contar com a ONG para “lutarmos pelos nossos direitos”, desde que sejamos lesados de alguma forma enquanto homossexuais; porém, justo em um evento realizado por tal, certos “acontecimentos desagradáveis”, como o supra citado são abafados ou não são oficialmente levados em consideração para que não “manche” a reputação do evento.

Bom, como o que realmente é levado em consideração é o número de “presentes” no evento (presentes, porque deve ficar claro que não podem ser tratados como participantes), torço para que seja um sucesso e não uma espécie de “luta livre a céu aberto” como no ano passado.

Espero que os presentes não adquiram o medo que se apossou de mim e que me faz estar fora da “parada do PÂNICO gay” nesse ano.

Deixo aqui, minha lamentação!
Diego Ferro.